Categoria: Onestaldo de Pennafort (Sonetos)

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Vesperal (Onestaldo de Pennafort)

Vesperal
(Onestaldo de Pennafort)

Dentro do véu da tarde silenciosa,
os jardins adormecem a sonhar…
Choram, sonhando, a sorte de uma rosa
que vai morrer nos braços do luar.

Dentro do véu da tarde silenciosa,
alguém soluça, erguendo os braços no ar,
uma velha balada dolorosa
de um grande amor que ninguém soube amar…

Pela tristeza de um longínquo olhar,
dentro do véu da tarde silenciosa,
beijo uma sombra que me faz chorar.

Canta um repuxo na hora vaporosa…
Quantas flores ainda vão tombar
dentro do véu da tarde silenciosa…

Da obra original Escombros Floridos (1918-1921)/ Onestaldo de Pennafort.
Extraído de Poesia/ Onestaldo de Pennafort,
Distrib. Record de Serv. de Imprensa S.A., Rio de Janeiro, (RJ) Brasil,
1987, pág. 28.

O último perfume (Onestaldo de Pennafort)

O último perfume
(Onestaldo de Pennafort)

Foi o passado, foi, que veio
a mim, como um amigo ausente,
só porque ouvi, no ambiente cheio
de um perfume de antigamente,

aquele Noturno dolente
que punha um susto no teu seio
e que eu ouvia atentamente,
como ora, em êxtase, escutei-o.

Foi o passado, a instante mágoa
da fonte em seu cântico de água
rindo e chorando no jardim…

Foi toda a história de uma vida,
de um lento acorde ressurgida
a um vago aroma de jasmim.

Da obra original Recapitulações/ Onestaldo de Pennafort (1934).
Extraído de Poesia/ Onestaldo de Pennafort,
Distrib. Record de Serv. de Imprensa S.A., Rio de Janeiro, (RJ) Brasil,
1987, pág. 150.

O último escombro florido (Onestaldo de Pennafort)

O último escombro florido
(Onestaldo de Pennafort)

Quando eu chegava à tua casa, quando
entreabria o portão do teu jardim,
alvoroçada e como as pombas voando,
vinhas rindo e correndo para mim.

Eu te beijava muito e te beijando
sentia o teu aroma de jasmim.
Eras a flor de caule esguio e brando
que mais se alvoroçava no jardim.

Mas tudo isso se foi… E ontem, passando,
por tua casa, ao ver o teu jardim
que a hera daninha, aos poucos, foi matando,

pensei em ti, no nosso amor, em mim.
Em nós também — eu já nem sei mais quando —
houve uma cousa que morreu assim.

Da obra original Recapitulações/ Onestaldo de Pennafort (1934).
Extraído de Poesia/ Onestaldo de Pennafort,
Distrib. Record de Serv. de Imprensa S.A., Rio de Janeiro, (RJ) Brasil,
1987, pág. 149.

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