Categoria: Onestaldo de Pennafort

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Romance (Onestaldo de Pennafort)

Romance
(Onestaldo de Pennafort)

Subiam do silêncio do jardim,
para a janela aberta do aposento,
perfumes brancos, de jasmim…
Dentro, num ritmo sonolento,
alguém abria o luar de um noturno nevoento
sobre o teclado de marfim.

Depois, um beijo alto e violento…
E houve por tudo um estremecimento,
uma angústia de fim…
E o beijo, num momento,
misturou-se ao perfume do jasmim
e ao noturno nevoento
que ressoava no aposento…

Hoje, para evocar o que passou, assim
como tudo que passa ao vento,
alguém acorda no teclado de marfim
um noturno nevoento…
E, da janela do aposento
sobre o silêncio do jardim,
procura aquele beijo violento
num perfume de jasmim…

Extraído de Poesia/ Onestaldo de Pennafort,
Distrib. Record de Serv. de Imprensa S.A., Rio de Janeiro, (RJ) Brasil,
1987, pág. 54.

 

 

Poesia X (Onestaldo de Pennafort)

Poesia X
(Onestaldo de Pennafort)

Por ver aberta a porta do jardim,
o luar no meu jardim, de manso, entrara,
atraído pelo aroma do jasmim.
Lembro-me bem. A noite era tão clara
que se diria feita de marfim.

Lembro-me bem. A noite se esquecera
do luar e fora para longe… Assim
também, dentro da noite cor de cera,
fiquei chorando tristemente o fim
de um sonho em que entre sonhos me perdera…

Atraído pelo aroma do jasmim,
fui ver o meu jardim na manhã clara
que parecia feita de marfim.
E vi, mal no jardim de manso entrara,
o luar adormecido no jardim.

Da obra original Interior/ Onestaldo de Pennafort (1922-1924).
Extraído de Poesia/ Onestaldo de Pennafort,
Distrib. Record de Serv. de Imprensa S.A., Rio de Janeiro, (RJ) Brasil,
1987, pág. 90.

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