Categoria: Olga Savary/ Livro Haikais

Mostrando postagens com marcador Olga Savary/ Livro Haikais.
Voltar para a página anterior

Desmistificação (Olga Savary)

Desmistificação
(Olga Savary)

Não sou um ser macio como a água distraída
sem um som em que me apóie na lâmina dos ventos
ou do vago rumor entre duas ondas; não sou

um ser gentil, dizia. Sou uma guerreira.

Publicado originalmente no livro Espelho Provisório (1950-1970).
Em Haikais/ Olga Savary, Roswitha Kempf Editores,
São Paulo (SP) Brasil, 1986, pág. 33.

Belém (Olga Savary)

Belém
(Olga Savary)

Lua sem nome num céu de ontem
as mãos sem sono encontraram intacta
minha cidade: Belém, antes desamada.

Publicado originalmente no livro Espelho Provisório (1950-1970).
Em Haikais/ Olga Savary, Roswitha Kempf Editores,
São Paulo (SP) Brasil, 1986, pág. 31.

Inevitável (Olga Savary)

Inevitável
(Olga Savary)

Eu poderia não ser, solidão, esse jovem animal selvagem
que deglute o teu bruxedo — cumeeira e soterrâneo,
arquitetura da destruição — mas não quero outra coisa.

Publicado originalmente no livro Espelho Provisório (1950-1970).
Em Haikais/ Olga Savary, Roswitha Kempf Editores,
São Paulo (SP) Brasil, 1986, pág. 30.

Nas tardes quentes (Olga Savary)

Nas tardes quentes
(Olga Savary)

Nas tardes quentes nada mais que fazer:
esquecer as mãos aquietadas como aranhas
e amarrar o silêncio à pura solidão

do silêncio.

Publicado originalmente no livro Espelho Provisório (1950-1970).
Em Haikais/ Olga Savary, Roswitha Kempf Editores,
São Paulo (SP) Brasil, 1986, pág. 29.

Desperdício (Olga Savary)

Desperdício
(Olga Savary)

Eu olharia quieta teu corpo tempo infinito
mas não sei o que seria pior:
a imobilidade ou esta idéia fixa.

Publicado originalmente no livro Espelho Provisório (1950-1970).
Em Haikais/ Olga Savary, Roswitha Kempf Editores,
São Paulo (SP) Brasil, 1986, pág. 28.

Comentário (Olga Savary)

Comentário
(Olga Savary)

O amor é um peixe cego. Amor é amar absurdo:
a coisa provisória, o amor abrumado, falta de paz.
Amor é um peixe cego e a água nos chama sem chamar,

chama fría.

Publicado originalmente no livro Espelho Provisório (1950-1970).
Em Haikais/ Olga Savary, Roswitha Kempf Editores,
São Paulo (SP) Brasil, 1986, pág. 27.

Percepção (Olga Savary)

Percepção
(Olga Savary)

A vida tem olhos terríveis.
Nada termina tudo se renova
e o sol é um grande pássaro de fogo

alerta entre as árvores.

Publicado originalmente no livro Espelho Provisório (1950-1970).
Em Haikais/ Olga Savary, Roswitha Kempf Editores,
São Paulo (SP) Brasil, 1986, pág. 26.

E maio, para Olenka (Olga Savary)

E maio, para Olenka
(Olga Savary)

O dia passou tão depressa
que só houve uma vontade de sono
sobre o desejo de escrever um poema.

Hiberna, caixa de música.

Publicado originalmente no livro Espelho Provisório (1950-1970).
Em Haikais/ Olga Savary, Roswitha Kempf Editores,
São Paulo (SP) Brasil, 1986, pág. 25.

Ressaca na Curva das Amendoeiras (Olga Savary)

Ressaca na Curva das Amendoeiras
(Olga Savary)

Hoje elas não se dão ao sol como lagartos:
avançam revolta, gritando espumas
contra o paredão.

Publicado originalmente no livro Espelho Provisório (1950-1970).
Em Haikais/ Olga Savary, Roswitha Kempf Editores,
São Paulo (SP) Brasil, 1986, pág. 24.

Submágica (Olga Savary)

Submágica
(Olga Savary)

O vento chama-te em mim como uma fonte cega.
Estranhos, arribaram os pássaros da memória.
Em pouco nada de meu restará em mim; dou-te

um ombro a cada tarde.

Publicado originalmente no livro Espelho Provisório (1950-1970).
Em Haikais/ Olga Savary, Roswitha Kempf Editores,
São Paulo (SP) Brasil, 1986, pág. 23.

Liberdade (Olga Savary)

Liberdade
(Olga Savary)

Desligada
o vento morde meus cabelos sem medo:
tenho todas as idades.

Publicado originalmente no livro Espelho Provisório (1950-1970).
Em Haikais/ Olga Savary, Roswitha Kempf Editores,
São Paulo (SP) Brasil, 1986, pág. 22.

Viagem (Olga Savary)

Viagem
(Olga Savary)

Ah o absoluto dentro do silêncio:
a ninguém perguntar o nome
nem dar o nosso.

Publicado originalmente no livro Espelho Provisório (1950-1970).
Em Haikais/ Olga Savary, Roswitha Kempf Editores,
São Paulo (SP) Brasil, 1986, pág. 21.

O Carteiro (Olga Savary)

O Carteiro
(Olga Savary)

Se hoje o povo te chama entre o vinagre e a chama
e amanhã costas voltadas sem que nem saibas porquê,
carteiro, que não acalentas esse fluído jogo de esperas

seja teu elmo.

Publicado originalmente no livro Espelho Provisório (1950-1970).
Em Haikais/ Olga Savary, Roswitha Kempf Editores,
São Paulo (SP) Brasil, 1986, pág. 20.

Amanhã (Olga Savary)

Amanhã
(Olga Savary)

Se devoras teus sonhos quando se ensaiam apenas
e secamente represas essa linguagem de flores
e teu desejo de asas que restam subterrâneas.

Quem serás tu, depois do Grande Sono, amanhã?

Publicado originalmente no livro Espelho Provisório (1950-1970).
Em Haikais/ Olga Savary, Roswitha Kempf Editores,
São Paulo (SP) Brasil, 1986, pág. 19.

Único (Olga Savary)

Único
(Olga Savary)

Não transfiras o momento do teu sonho.
No instante em que ele vem, arrisca-te à sua fina lâmina:
ele é tua única herança, teu legado único, único vestígio.

Publicado originalmente no livro Espelho Provisório (1950-1970).
Em Haikais/ Olga Savary, Roswitha Kempf Editores,
São Paulo (SP) Brasil, 1986, pág. 17.

Hai-kai (Olga Savary)

Hai-kai
(Olga Savary)

Se fosses um buda
eu seria a pedra
de tua fronte.

Publicado originalmente no livro Espelho Provisório (1950-1970).
Em Haikais/ Olga Savary, Roswitha Kempf Editores,
São Paulo (SP) Brasil, 1986, pág. 15.

Enquanto (Olga Savary)

Enquanto
(Olga Savary)

Sou inconstante como o vento
sou inconstante como a vaga
porisso fica enquanto estou desvelada

enquanto eu não for vento ou vaga.
Publicado originalmente no livro Espelho Provisório (1950-1970).
Em Haikais/ Olga Savary, Roswitha Kempf Editores,
São Paulo (SP) Brasil, 1986, pág. 14.

Tranqüilidade na tarde (Olga Savary)

Tranqüilidade na tarde
(Olga Savary)

Ah, derramar-me líquida sobre o mar
— ser onda indefinidamente — esperar
pela primeira estrela e dela ser apenas

espelho.

Publicado originalmente no livro Espelho Provisório (1950-1970).
Em Haikais/ Olga Savary, Roswitha Kempf Editores,
São Paulo (SP) Brasil, 1986, pág. 13.

Vinheta (Olga Savary)

Vinheta
(Olga Savary)

Minha pequena libélula,
leva no sonho de tuas asas frágeis
a fragilidade das asas de meus sonhos.

Publicado originalmente no livro Espelho Provisório (1950-1970).
Em Haikais/ Olga Savary, Roswitha Kempf Editores,
São Paulo (SP) Brasil, 1986, pág. 12.

Send this to a friend