Categoria: Nuno Júdice

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A Rosa (Nuno Júdice)

A Rosa
(Nuno Júdice)

Fogo fátuo de uma hora — rosa — hipér-
bole colhida num feixe de citações:
de que destino te queixas, frágil verso
na ressequida estrofe? Se um canto te
guarda a memória e a cor, e alguém
restitui num breve olhar o brilho
de outrora — tão ruivo contra a luz.

Assim fenece a impressão do poema,
efémera como o lugar comum da flor;
e a prosa se sobrepõe à música do
outono num chão de folhas que a noc-
turna humidade corrompe. Manto com
que outubro e novembro amortalham
a primavera nos teus lábios brancos.

Em Enumeração de Sombras/ Nuno Júdice, Quetzal Editores, Lisboa (PT),
1989, pág. 51.

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