Categoria: Lílian Maial (sonetos)

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Soneto de Primavera (Lilian Maial)

Soneto de Primavera
(Lilian Maial)

Hoje me penso atrasada em florir
e na função primavera de cor,
adubaria e regava esse amor,
acelerando o botão a se abrir.

Contaminados os caules — banir!
Isolamento sem danos à flor,
que na frescura do vento cantor,
expõe a pétala ao sol sem sentir.

Sábias raízes de vida invernada,
clone mais livre a cada nova poda,
regenera-me em seiva imaculada.

De galhos abertos, como um abraço,
espalhando na brisa gozo e pólen,
sou mais florida nos versos que faço.

Publicado no Recanto das Letras em 02/04/2008
Código do texto: T927865

A rosa e o orvalho (®Lílian Maial)

A rosa e o orvalho
(®Lílian Maial)

A rosa, apaixonada pelo orvalho,
deixava-se banhar com alegria,
e a gota, escorregando à luz do dia,
pendia sobre a rosa presa ao galho.

Na pressa, como em busca de um atalho,
a gota sutilmente resistia,
rolava pela pétala que ardia
ao sol, que lhe servia de agasalho.

E assim, como um romance, a flor e a gota
de orvalho se abraçavam com carinho,
aos olhos de uma brisa perigosa.

Mas eis que a brisa forte e ciumenta
soprou demais e o orvalho não agüenta:
desaba como lágrimas da rosa!…

Publicado no Recanto das Letras em 25/06/2008.
Código do texto: T1051354

Uso Batom (Lílian Maial)

Uso Batom
(Lílian Maial)

Uso batom nos lábios meus devassos,
para atiçar instintos mais lascivos,
que esses venenos teus — beijos nocivos —
fazem manchar de amor os meus regaços.

Uso batom no rastro dos meus passos,
delimitando espaços criativos,
nos ferimentos mais inofensivos,
onde os meus dentes mordem teus pedaços.

Se vais fugir, não há batom que cubra,
ou te proteja do gosto sem pejo,
que o amor é feito um louco bumerangue.

Pois não te iludas com esta boca rubra,
ou te distraias com carmim desejo:
uso o batom pra te lembrar do sangue…

Publicado no Recanto das Letras em 25/05/2008
Código do texto: T1004914

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