Categoria: Helena Kolody (PR, Brasil)

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Mentira (Helena Kolody)

Mentira
(Helena Kolody)

Mentira que as rosas ferem.
Rosas são de veludo.
São da roseira, os espinhos.

Em Infinita Sinfonia/ Helena Kolody.
Organização e coordenação de Adélia Maria Woellner,
Edição do Autor, Curitiba (PR) Brasil, 2011, pág. 28.

Rosas de inverno (Helena Kolody)

Rosas de inverno
(Helena Kolody)

Ao primeiro prenúncio das geadas,
quando a luz esmorece, e o fim do Outono,
as roseiras sem flor, num abandono,
são monjas medievais ensimesmadas.

Mas se um verão tardio doura as ramadas,
acordam os rosais do estranho sono.
As rosas senhoris, com régio entono,
abrem as pálpebras aveludadas.

O coração parece uma roseira
que floresceu a primavera inteira
em rosas de ternura e de ilusão.

Pois, mesmo quando o inverno vem tristonho,
basta um raio de sol, e a flor do sonho
desabrocha triunfal no coração.

Em Viagem no espelho e vinte e um poemas inéditos/ Helena Kolody,
2ª edição, Criar Edições Ltda., Curitiba (PR) Brasil, 2004. pág. 200)

O sentido secreto da vida (Helena Kolody)

O sentido secreto da vida
(Helena Kolody)

Há um sentido profundo
na superficialidade das coisas,
uma ordem inalterável
no caos aparente dos mundos.

Vibra um trabalho silencioso e incessante
dentro da imobilidade das plantas:
no crescer das raízes,
no desabrochar das flores,
no sazonar dos frutos.

Há um aperfeiçoamento invisível
dentro do silêncio de nosso Eu:
nos sentimentos que florescem,
nas idéias que voam,
nas mágoas que sangram.
Uma folha morta
não cai inutilmente.
A lágrima não rola em vão.
Uma invisível mão misericordiosa
suaviza a queda da folha,
enxuga o pranto da face.

Em Viagem no Espelho e vinte e um poemas inéditos/ Helena Kolody,
2ª edição, Criar Edições Ltda., Curitiba (PR) Brasil 2004, pág. 211/212.

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