Categoria: Guilherme de Almeida (Poemas)

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Gramofone (Guilherme de Almeida)

Gramofone
(Guilherme de Almeida)

Que grande luz pesada
que cai reta bruta chata na terra parda
e abala o ar e abate as aves
e abafa as árvores!
O silêncio ferve. Apenas dos quintais de esmeralda
vem um canto molhado de linha batido —
batido — batido.

De repente contra
o dia áspero de pó de vidro,
o dia de lixa, alguém risca uma ponta
rascante de ferro: — e uma voz ora fanhosa
ora rouca ora arenosa
rasga ao meio o imenso
o imenso silêncio.

Em Os melhores poemas de Guilherme de Almeida/
seleção de Carlos Vogt, 2ª edição, Global Editora e Distrib. Ltda.,
São Paulo (SP) Brasil, 2001, pág. 71.

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