Categoria: Casimiro de Abreu

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Primaveras – 2 (Casimiro de Abreu)

Primaveras – 2
(Casimiro de Abreu)

Mas como às vezes sobre o céu sereno
corre uma nuvem que a tormenta guia
também a lira alguma vez sombria
solta gemendo de amargura um treno.

São flores murchas; – o jasmim fenece,
mas bafejado s’erguerá de novo
bem como o galho do gentil renovo
durante a noite, quando o orvalho desce.

Se um canto amargo de ironia cheio
treme nos lábios do cantor mancebo,
em breve a virgem do seu casto enlevo
dá-lhe um sorriso e lhe intumesce o seio.

Na primavera – na manhã da vida –
Deus às tristezas o sorriso enlaça,
e a tempestade se dissipa e passa
à voz mimosa da mulher querida.

Na mocidade, na estação fogosa,
ama-se a vida – a mocidade é crença,
e a alma virgem nesta festa imensa
canta, palpita, s’extasia e goza.

Em As primaveras/ Casimiro de Abreu: organização e prefácio Vagner Camilo,
1ª edição, Livraria Martins Fontes Editora Ltda.,
São Paulo (SP) Brasil, 2002, pág. 73.

Primaveras – 1 (Casimiro de Abreu)

Primaveras – 1
(Casimiro de Abreu)

A primavera é a estação dos risos,
Deus fita o mundo com celeste afago,
tremem as folhas e palpita o lago
da brisa louca aos amorosos frisos.

Na primavera tudo é viço e gala,
trinam as aves a canção de amores,
e doce e bela no tapiz das flores
melhor perfume a violeta exala.

Na primavera tudo é riso e festa,
brotam aromas do vergel florido,
e o ramo verde de manhã colhido
enfeita a fronte da aldeã modesta.

A natureza se desperta rindo,
um hino imenso a criação modula,
canta a calhandra, a juriti arrula,
o mar é calmo porque o céu é lindo.

Alegre e verde se balança o galho,
suspira a fonte na linguagem meiga,
murmura a brisa: – Como é linda a veiga!
Responde a rosa: – Como é doce o orvalho!

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