Categoria: Camilo Pessanha (Sonetos)

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Floriram por engano as rosas bravas (Camilo Pessanha)

Floriram por engano as rosas bravas
(Camilo Pessanha)

Floriram por engano as rosas bravas
no Inverno: veio o vento desfolhá-las …
Em que cismas, meu bem? Porque me calas
as vozes com que há pouco me enganavas?

Castelos doidos! Tão cedo caístes! …
Onde vamos, alheio o pensamento,
de mãos dadas? Teus olhos, que um momento
perscrutaram nos meus, como vão tristes!

E sobre nós cai nupcial a neve,
surda, em triunfo, pétalas, de leve
juncando o chão, na acrópole de gelos …

Em redor do teu vulto é como um véu!
Quem as esparze — quanta flor — do céu,
sobre nós dois, sobre os nossos cabelos?

Em Clepsidra/ Camilo Pessanha: introdução por Isabel Pascoal,
2ª edição, Editora Tilgráfica, Braga, Portugal, 1996, pág. 52.

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