Categoria: Basilina Pereira

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Descobertas (Basilina Pereira)

Descobertas
(Basilina Pereira)

Um vento vadio irrompe em minha janela,
trazendo alfinetes de neve
pra dançar em minha pele.
Um arrepio sensual invade meu corpo
e meus pensamentos travessos,
que desafiam o tempo e as vidraças.
Cortinas de vidro escondem segredos
que cintilam como archotes vermelhos,
na curiosidade astuta
dos verdes tempos: doces descobertas,
que saltarão sobre o medo dos deuses
e desafiarão a censura,
no doce aroma do fruto, que amadurece.
A sensualidade é uma gota de suor
que não tem tempo para cair.

Em Quase Poesia/ Basilina Pereira, LGE Editora Ltda.,
Brasília (DF) Brasil, 2009, pág. 81.

O amor (Basilina Pereira)

O amor
(Basilina Pereira)

O amor é a brasa que resta
do fogo maior: a paixão.
Também é o mestre que ensina
o compasso da emoção.

Possui o encanto das gueixas,
e todo o enigma do segredo,
do riso, rouba a alegria
do pranto: a dor e o medo.

Do amor diz-se: soberano,
sem fronteira e sem patrão,
que confirmem ou desaprovem
as regras do coração.

Não há quem saiba dizê-lo
com cadência e passo certo.
Mas todos podem senti-lo
não há coração deserto.

Em Quase Poesia/ Basilina Pereira, LGE Editora Ltda.,
Brasília (DF) Brasil, 2009, pág. 68.

Sentinelas (Basilina Pereira)

Sentinelas
(Basilina Pereira)

Banco da praça depois do passeio.
Na vertigem da tarde que cai,
sobem as ruas e as avenidas descem
pra ver os amantes, que vão na frente.
Atrás, uma cortina de segredos.

A censura segue por último
como um velho pastor a velar
por ovelhas indefesas
que, em bando, buscam miragem
em sua cálida inocência.

O roteiro é mutante,
inútil disfarce pra quem baila
na volúpia do primeiro amor,
sentimentos instáveis,
ardentes…receios? nenhum.

O anseio é constante, a magia, real.
Os encontros furtivos, olhos nos olhos
querendo mais…
Os dedos se tocam em arrepio,
é o tempo que desmaia.

Foram muitas as testemunhas
que velaram esses encontros: esquinas,
portas, varandas e janelas,
que até hoje permanecem mudas,
como sentinelas.

Em Janelas/ Basilina Pereira, Verbis Editora Ltda.,
Brasília (DF) Brasil, 2010, pág. 14.

O amor que não vivi (Basilina Pereira)

O amor que não vivi
(Basilina Pereira)

O amor que não vivi
resiste em minha memória
qual fruto que não colhi
e não entrou na história.

O amor que não vivi
deve estar em algum lugar,
quisera poder sentir
o que só pude sonhar.

O amor que não vivi
dizem: é conto de fadas,
não há sensação assim
– que arrepie a madrugada!

O amor que não vivi
existe em meu pensamento:
real — está bem aqui
onde mora o sentimento.

O amor que não vivi
cabe no verso ideal,
num poema em frenesi,
no acorde do madrigal.

O amor que não vivi
é chama que ardeu demais,
de tanto querer, perdi
e que falta ele me faz!

Em Janelas/ Basilina Pereira, Verbis Editora Ltda.,
Brasília (DF) Brasil, 2010, pág. 128.

Quisera (Basilina Pereira)

Quisera
(Basilina Pereira)

Quisera te encontrar na primavera
num crepúsculo casual feito quimera
e seguir de mãos dadas pelos campos,
evocando perto e longe os pirilampos.

Sorver as sensações doces e quentes
que percorrem a alma, corpo e mente,
quando a paixão explode em tarde calma
colher o fruto que nasceu da palma.

Quisera te seguir nas tardes tortas,
abrir janelas e fechar as portas,
quando o verão acende os poros, confiante,
e ser tua gueixa, concubina, eterna amante.

Secar tuas lágrimas com a luz do luar,
ser o teu fogo até o inverno passar,
tocar a harpa, se te sentir triste
e descobrir que o outono não existe.

E assim viver contigo toda a vida
numa simplicidade complicada e esquecida
dos amantes que valsaram à luz do dia
sobre as rimas e o encanto da poesia.

Em Janelas/ Basilina Pereira, Verbis Editora Ltda.,
Brasília (DF) Brasil, 2010, pág. 50.

Eu quero (Basilina Pereira)

Eu quero
(Basilina Pereira)

Uma mão suave para a minha mão,
um abraço forte para o meu peito,
um rosto certo para o meu sonho,
uma alma terna para minha emoção,
um homem ousado para o meu desejo,
e um amor infinito para o meu coração.

Em Quase Poesia/ Basilina Pereira, LGE Editora Ltda.,
Brasília (DF) Brasil, 2009, pág. 18.

Emoção (Basilina Pereira)

Emoção
(Basilina Pereira)

Há festa em meu coração.
Sinto uma paz envolvente
que invade meu corpo
e minha mente.

Enlevo-me na presença das flores,
com a ousadia das cores
e a leveza da brisa
que me suaviza.

Meu corpo todo palpita
no calor de uma alegria aflita
que se expande em emoção.
Divina sensação!

Em Quase Poesia/ Basilina Pereira, LGE Editora Ltda.,
Brasília (DF) Brasil, 2009, pág. 17.

Procura (Basilina Pereira)

Procura
(Basilina Pereira)

Fazia tempo que, sem saber, te procurava.
Tanto andei,
tanto vaguei,
que, por fim, te encontrei.
Lancei palavras ao vento,
busquei um sonho no além
sem saber se poderia encontrar.
Quando nos encontramos
meu olhar brilhou e passou
a iluminar o aminho.
Meu coração bateu forte
e teu sorriso complementou
teu silêncio que,
mais que tudo, eu quis ouvir.

Em Quase Poesia/ Basilina Pereira, LGE Editora Ltda.,
Brasília (DF) Brasil, 2009, pág. 15.

Quase Poesia (Basilina Pereira)

Quase Poesia
(Basilina Pereira)

Em algum lugar as horas esperam.
Há um canto querendo nascer
pra colorir a manhã de orvalho.

Em algum lugar as pedras choram.
Os homens não perceberam que o paraíso é aqui,
o seu tempo é hoje, agora,
e a flor é quase poesia.

Em Quase Poesia/ Basilina Pereira, LGE Editora Ltda.,
Brasília (DF) Brasil, 2009, pág. 125.

A Orquídea (Basilina Pereira)

A Orquídea
(Basilina Pereira)

Orquídea, entre tantos encantos
escolheste a beleza magistral.
Das palavras que enlaçam o poeta,
tu és o mistério do verso.
Infinito,
da paciência à sutileza,
que se esconde em folhagem humilde:
plena camuflagem,
segredos, só revelados
a olhos que amam com a essência da alma.
Em teus matizes, escondem-se
formas indescritíveis…
Teu perfume
encerra a humildade e o orgulho
aprisionados na magia
de um êxtase.
Majestade! Rendo-me a teus encantos,
mesmo sem saber por que me conquistaste.

Em Quase Poesia/ Basilina Pereira, LGE Editora Ltda.,
Brasília (DF) Brasil, 2009, pág. 99.

O Orquidário (Basilina Pereira)

O Orquidário
(Basilina Pereira)

O orquidário é um poema
onde rimam todas as cores.
Seus meandros verdes e pupilas brancas
cumprem o seu complexo ritual
e exalam, como mistério, o perfume certo
de cada estação.

Longas raízes espreitam
o tempo e o vento
e atraem olhares perdidos.
O solo bordado de estrelas
conta histórias pra quem sabe
que, da luz, vem o milagre
daquela simetria florida.

Em Quase Poesia/ Basilina Pereira, LGE Editora Ltda.,
Brasília (DF) Brasil, 2009, pág. 60.

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