Categoria: Augusto Frederico Schmidt (Sonetos)

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Soneto (Augusto Frederico Schmidt)

Soneto
(Augusto Frederico Schmidt)

Frágeis filhas da Aurora e do Mistério,
rosas que despertais virgens e frescas,
sorrindo entre os espinhos e as folhagens,
nos roseirais sadios e viçosos.

Rosas débeis, que os ventos assassinam,
sois a forma e a expressão do próprio efêmero,
na luta natural incerta e cega.
Sois o instante de Pausa e Sutileza.

Rosas que as mãos da noite despetalam,
sois o triunfo do Amor e da Harmonia,
sois a imagem tranqüila da Beleza.

Rosas que alimentais meu olhar enfêrmo,
rosas, vós sois da terra humilde e escura
um gesto puro, um alto pensamento!

Em Sonetos – completos/ Augusto Frederico Schmidt,
Rio Gráfica Editora Ltda., Rio de Janeiro (RJ) Brasil,
1965, pág. 52.

Soneto (Augusto Frederico Schmidt)

Soneto
(Augusto Frederico Schmidt)

Ela dançando parecia a imagem
da roseira que os ventos estremecem,
tais os perfumes que fugiam dela,
tal a impressão de rosa espetalada.

Rodopiava ligeira: os pés tão leves
mal tocavam no chão; nos doces ares
parecia pairar, visão graciosa,
com o seu branco vestido inesquecível.

Que pensamentos fáceis e felizes
se escondiam por trás dos seus cabelos
soltos à força do rodar das valsas!

Que sentimentos doces de esperança
não te animavam, clara Josefina,
ó dançarina frágil como as rosas…

Em Sonetos/Augusto Frederico Schmidt, Rio Gráfica e Editora Ltda.,
Rio de Janeiro (RJ), Brasil, 1965, pág. 81.

Soneto (Augusto Frederico Schmidt)

Soneto
(Augusto Frederico Schmidt)

Descem sôbre as violetas escondidas
os afagos das doces mãos da Aurora.
E eu contemplo o teu ser, abandonado
nesse sono, que é um mar de sombra e frio.

A noite imensa se escondeu aos poucos
no teu rosto apagado e em teus cabelos,
no teu seio secreto e sossegado
e nos teus longos pés purificados.

As violetas despertam suspirosas
e o brando vento da manhã agita
as mal nascidas rosas dos jardins.

És o resto da noite, a alma noturna,
que mal resiste à luz que vem chegando;
és a estrêla esquecida e misteriosa.

Em Sonetos – completos/ Augusto Frederico Schmidt, Rio Gráfica Editora Ltda.,
Rio de Janeiro (RJ) Brasil, 1965, pág. 82.

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