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Raros Encontros – XVI (Antonio Kleber Mathias Netto)

Raros Encontros
XVI
(Antonio Kleber Mathias Netto)

Quero a emoção dos beijos escondidos,
chantagem viva, rogo sem limites,
ao lume da lascívia traiçoeira
persuadindo a mulher que ainda resiste.

Acolho o titubeio da incerteza,
mudez e vozerio simultâneo,
nos rápidos encontros permitidos,
à luz da vela — amor indefinida.

Há montanhas de dúvidas perversas
afugentando a erótica impulsão
do desejo voraz e clandestino.

Entretanto, não quero que se esvaiam
esses raros encontros do prazer,
junto ao corpo sensual que me alucina.

Em Quarenta Sonetos Sem Pecado/Antonio Kleber Mathias Netto,
Editora do Autor, Rio das Ostras (RJ) Brasil, 1997.

Êxtase com arte – XV (Antonio Kleber Mathias Netto)

Êxtase com arte
XV
(Antonio Kleber Mathias Netto)

Quero sentir teus pêlos eriçados,
quando beijar tua nuca perfumada,
tomando-te por trás numa emboscada,
à luz de um erotismo enfeitiçado.

Refeita da surpresa, então beijar-te,
assumir por inteiro o corpo ardente,
sob a volúpia mais do que suficiente
para levar-te ao êxtase com arte.

Não seja de fumaça e de quimera
o reencontro, depois de tanta espera,
ao vigor da saudade e do desejo.

Façamos deste inverno a primavera.
Sobre os lençóis, arfantes, sob arpejos,
entrega-me tua boca para os beijos!

Em Quarenta Sonetos Sem Pecado/Antonio Kleber Mathias Netto,
Editora do Autor, Rio das Ostras (RJ) Brasil, 1997.

Libido Arrojada – XIV (Antonio Kleber Mathias Netto)

Libido Arrojada
XIV
(Antonio Kleber Mathias Netto)

Espero teus seios rosados e rijos,
teus lábios passivos, carnudos e doces.
Espero a quentura das coxas torneadas,
para energizar o meu corpo e a minha alma.

Quero o teu murmúrio aliciando os sentidos,
o beijo indiscreto na dança das línguas,
os pêlos macios na pele sensível
e o corpo no corpo ao pulsar dos instintos.

O sonho é maduro; o desejo é infinito;
a espera é tensão que avoluma no peito,
no multiplicar das batidas cardíacas.

O ambiente é lascívia que se arma à explosão;
é trama que espreita o gemido do gozo,
enquanto os instantes da noite se esfumam.

Em Quarenta Sonetos Sem Pecado/Antonio Kleber Mathias Netto,
Editora do Autor, Rio das Ostras (RJ) Brasil, 1997.

Despertamento – XIII (Antonio Kleber Mathias Netto)

Despertamento
XIII
(Antonio Kleber Mathias Netto)

No repente da noite silenciosa,
ao ferrete do amargo das esperas,
eis que lhe chega, linda e maliciosa,
quem não viria, mas chegou deveras.

A força transcendente da libido
assume o instinto puro do animal.
Desperta o amante quase sucumbido,
reassumindo a energia doutro astral.

Olhos nos olhos, bocas se aproximam,
sob a preliminar concupiscente
que arrosta a nervatura às impulsões.

Naquele quarto há pouco tão silente,
agora vibram corpos que se animam,
ao rigor das mais puras emoções.

Em Quarenta Sonetos Sem Pecado/Antonio Kleber Mathias Netto,
Editora do Autor, Rio das Ostras (RJ) Brasil, 1997.

O agora é nostalgia – XII (Antonio Kleber Mathias Netto)

O agora é nostalgia
XII
(Antonio Kleber Mathias Netto)

Por mais que os meus sentidos relutantes
procurem te esquecer, eu não te esqueço.
Traduzo-me em sofrer agonizante,
virando a minha vida pelo avesso.

A luz da espera vã me ofusca o senso,
levando ao descompasso o coração.
Sobra da luta ingente que não venço,
o amargo mais profundo e a frustração.

Compreendo que o amanhã será outro dia,
outras serão as veias do sentir,
neste processo rude do esquecer.

Ocorre que o agora é nostalgia,
desejo insatisfeito a me aturdir;
solidão sem fronteira a me render.

Em Quarenta Sonetos Sem Pecado/Antonio Kleber Mathias Netto,
Editora do Autor, Rio das Ostras (RJ) Brasil, 1997.

Quarenta Sonetos Sem Pecado – XI (Antonio Kleber Mathias Netto)

Quarenta Sonetos Sem Pecado
XI
(Antonio Kleber Mathias Netto)

Os instantes são chantagens aplicadas;
e beijos são tramóias temporárias.
As verdades inteiras são neblinas
que embotam quantas vezes a consciência.

Não haverá caminhos de reencontros,
horas marcadas, horas decididas,
ou mesmo pensamentos prolongados,
sobre as sensações fortes que vivemos.

Também os horizontes escurecem,
e eis que a fugacidade das mãos juntas
não passam de uma quadra de promessas.

A vida muda muito no outro dia.
A vida muda sempre, ela é mutante,
é a desgraça do amor que hoje delira!

Em Quarenta Sonetos Sem Pecado/Antonio Kleber Mathias Netto,
Editora do Autor, Rio das Ostras (RJ), 1997.

Quarenta Sonetos Sem Pecado – X (Antonio Kleber Mathias Netto)

Quarenta Sonetos Sem Pecado
X
(Antonio Kleber Mathias Netto)

Amanhã de manhã, um vento manso
terá limpado a areia à beira mar.
As ondas noturnais terão levado
a presença dos corpos que se amaram.

Restarão, sim, meus passos e meus sonhos,
misturados aos gritos das gaivotas
e à paisagem fria dos invernos.
As coisas acontecem, como a noite,

o dia, a vida, a morte; como tudo
que passa e não mais volta e, quando volta,
são mentiras, frangalhos e neblina.

Viver as sombras nuas da saudade
leva a alma à constrição das amarguras.
Eis porque estou pronto às aventuras!

Em Quarenta Sonetos Sem Pecado/Antonio Kleber Mathias Netto,
Editora do Autor, Rio das Ostras (RJ) Brasil, 1997.

De Verso em Verso IX (Antonio Kleber Mathias Netto)

De Verso em Verso
IX
(Antonio Kleber Mathias Netto)

O que jamais vivi, revivo intensamente,
lavrando a história da ilusão sem preconceito,
deixando minha alma em devaneio, livre, nua,
cantando o que foi sonho em versos de prazer.

Desnudo amantes que não tive, dou-lhes beijos,
deito seus corpos nas alfombras guarnecidas
e alcanço o gozo repetido nos mistérios
da conjunção do amor sublime das libidos.

No dadivoso mergulhar da alma nos sonhos,
emerge o esteta e a inspiração concupiscente,
multiplicando a poemática do enlevo.

Em Quarenta Sonetos Sem Pecado/ Antonio Kleber Mathias Netto,
Editora do Autor, Rio das Ostras (RJ) Brasil, 1997.

Outra Tempestade VIII (Antonio Kleber Mathias Netto)

Outra Tempestade
VIII
(Antonio Kleber Mathias Netto)

Nos instantes mais vivos do desejo,
alma integrada aos cosmos dos meus sonhos,
desperto no silêncio carrascal,
sob a friagem nua da manhã.

Lá fora o vento assume a rebeldia,
agitando as florestas e o oceano,
tentando a imitação da tempestade
que devassa os quadrantes de minha alma.

De repente, porém, vão se amansando
os rumores reinantes das procelas
que se arrumaram rudes e opressoras.

Sinto lá fora o vento se aquietando.
Parece que algo estranho prenuncia
lençóis em desalinho e corpos nus.

Em Quarenta Sonetos Sem Pecado/Antonio Kleber Mathias Netto,
Editora do Autor, Rio das Ostras (RJ), 1997.

Soneto VII (Antonio Kleber Mathias Netto)

Soneto VII
(Antonio Kleber Mathias Netto)

Das fronteiras distantes, te acompanham
os colossais segredos da libido,
tornando-te sensual e pretendida.
Hoje escondo a tensão que propiciaste

ao sistema neurônico do macho,
rompendo seus limites de luxúria.
Serás, ainda amanhã, doce mistério,
tomada em rebeldias, cios, tramas.

Então, eis porque rompes tuas selvas
e fico aqui rompendo estrelas tantas,
imaginando um verso que consiga

fazer-te entregue aos meus desejos puros.
Rompendo estrelas, sim, rompendo estrelas,
sofrendo a inspiração dos teus sussurros!

Em Quarenta Sonetos Sem Pecado/Antonio Kleber Mathias Netto,
Editora do Autor, Rio das Ostras (RJ) Brasil, 1997.

Soneto VI (Antonio Kleber Mathias Netto)

Soneto VI
(Antonio Kleber Mathias Netto)

Na areia, solidão de maresia,
afogado nas ondas da lembrança,
entrego-me ao roçar das brisas tantas,
levando-me em nostálgica empreitada.

Caminho sob nuvens de algodão,
dando as mãos à memória mais recente.
Visito as estalagens da ilusão,
onde alcancei somente a fantasia.

Lá, eis-me reprimido, quiromântico,
diante do corpo quedo da mulher,
desejosa do macho sem ação.

Agora, aqui sozinho, mar e brumas,
entrego-me à utopia de um retorno,
sonhando reviver o não vivido.

Em Quarenta Sonetos Sem Pecado/Antonio Kleber Mathias Netto,
Editora do Autor, Rio das Ostras (RJ) Brasil, 1997.

Soneto V (Antonio Kleber Mathias Netto)

Soneto V
(Antonio Kleber Mathias Netto)

Quero o gesto das mãos como brinquedo,
seja o teu beijo pura fantasia.
Ao lume da ilusão que se faz chama,
decifrarás o amor devagarinho.

Ao inteiro dever do verbo-encanto,
entrego a frase ativa do meu sonho,
para em volteios livres de pressões
fazer-te entregue aos jogos sensuais.

Na quietude da noite faço festa,
com meus versos elétricos, sem rima,
encobrindo as entranhas da libido.

Mas quando finalmente despertares,
sob a maturidade dos anseios,
serás sensualidade à flor da pele.

Em Quarenta Sonetos Sem Pecado/Antonio Kleber Mathias Netto,
Editora do Autor, Rio das Ostras (RJ) Brasil, 1997.

Soneto IV (Antonio Kleber Mathias Netto)

Soneto IV
(Antonio Kleber Mathias Netto)

Rondo teus olhos densos, misteriosos,
faróis prescrutadores, transcendentes,
iluminando vidas decadentes,
afastando-as de traumas nebulosos.

Rondo tua boca, sede dos conselhos,
portal das esperanças espargidas
sobre incontáveis almas sem guarida,
cujas condutas seguem teus espelhos.

Rondo teus gestos francos, teus sentidos
e o frescor matinal de rosas puras
que emerge dos teus lábios tão queridos.

Rondo, enfim, a lascívia mais segura
que escorre transparente da ternura
com que evocas os sonhos não vividos.

Em Quarenta Sonetos Sem Pecado/Antonio Kleber Mathias Netto,
Editora do Autor, Rio das Ostras (RJ) Brasil, 1997.

Soneto III (Antonio Kleber Mathias Netto)

Soneto III
(Antonio Kleber Mathias Netto)

Volúpias sucessivas que se esfumam,
no abrir e no fechar dos olhos úmidos.
Eis-me, então, no enquanto das vontades,
nuvens que se desfazem, sonhos findos.

Essa espera sem tempo é espera tensa,
fugazes emergências dos impulsos.
O gesto, o olhar e a voz estão distantes,
acompanham-me as sombras e os fantasmas.

Nas esquecidas folhas, sobram versos,
edificados sobre cinzas frias,
tentando resgatar tensões antigas.

Estamos sem estar, sangue sem veias,
como as noites morrendo nas manhãs,
como as ondas deitando nas areias.

Em Quarenta Sonetos Sem Pecado/Antonio Kleber Mathias Netto,
Editora do Autor, Rio das Ostras (RJ) Brasil, 1997.

Soneto II (Antonio Kleber Mathias Netto)

Soneto II
(Antonio Kleber Mathias Netto)

És um grito do ventre das florestas,
livre e cheia de sonhos, selva pura,
amor arrebatado que domina
circunstâncias dos mais puros desejos.

Chegas do coração verde e profundo,
de mistérios tomado, sonhos cheios.
És trilhas escondidas, és a fera
incontida, rebelde, terna, amante.

Teu vigor transcendente é força viva,
vencendo os obstáculos colossos,
rompendo esquinas, ruas e cidades.

Como sinto impossível dominar-te!
E segues tracejando a tua sorte,
mulher inteira já, cheia de viço!

Em Quarenta Sonetos Sem Pecado/Antonio Kleber Mathias Netto,
Editora do Autor, Rio das Ostras (RJ) Brasil, 1997.

Soneto I (Antonio Kleber Mathias Netto)

Soneto I
(Antonio Kleber Mathias Netto)

Farfalham folhas secas, outonais.
Um lúbrico desejo me alucina.
Agito-me confuso e em cada esquina
convenço-me de que aparecerás.

As horas se sucedem, tu não vens.
As emoções explodem no vazio,
ratificando o amor que me sustém,
enchendo-me de ânsias e de frio.

A crença que impuseste à minha espera
materializa a fé em ter-te um dia,
sob o comando azul das sensações.

Entregue à monolítica quimera,
transformo o meu o instinto em rebeldia,
até que encontre a luz das soluções.

Em Quarenta Sonetos Sem Pecado/ Antonio Kleber Mathias Netto,
Editora do Autor, Rio das Ostras (RJ) Brasil, 1997.

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