Categoria: Adélia Maria Woellner

Mostrando postagens com marcador Adélia Maria Woellner.
Voltar para a página anterior

Anseio (Adélia Maria Woellner)

Anseio
(Adélia Maria Woellner)

Nos teatros dos dias,
vivi muitos papéis…

Desde tempos imemoriais,
intérprete não fui,
no ritual do templo,
sacerdotisa única
a acender o fogo
e partilhar
das oferendas
do altar do teu coração.

Em Infinito em mim/Adélia Maria Woellner, Reproset Indústria Gráfica Ltda.,
Curitiba (PR), 2ª edição, 2000, pág.13.

Alienação (Adélia Maria Woellner)

Alienação
(Adélia Maria Woellner)

As nuvens se encolheram,
abrindo caminho no céu,
revelando a infinitude do vazio.

O vento não soltou a voz;
os animais se aninharam silenciosamente;
as ondas se largaram, mansamente;
o sol e a lua se encontraram no espaço;
as hastes das plantas se dobraram
e as flores encostaram as pétalas na relva,
em gesto de reverência;
os galhos das árvores se uniram,
como se fossem mãos em prece.

A natureza se prostrou,
usufruindo a beleza da revelação.

Só os homens,
mergulhados no ruído do fazer,
nada viram,
nada ouviram…
Nem entenderam
por que tudo aconteceu…

Em Infinito em mim/Adélia Maria Woellner, Reproset Indústria Gráfica Ltda.,
Curitiba (PR), 2ª edição, 2000, pág.10.

Adaptação (Adélia Maria Woellner)

Adaptação
(Adélia Maria Woellner)

A lua
repousou no mar
e se fez branco barco,
para viver as emoções.

Aprendeu a flutuar,
para usufruir
sensações não conhecidas.
Só assim pôde
enfrentar tempestades
e retornar, melhor,
ao porto de origem.

Em Infinito em mim/Adélia Maria Woellner, Reproset Indústria Gráfica Ltda.,
Curitiba (PR), 2ª edição, 2000, pág. 9.

 

Prece (Adélia Maria Woellner)

Prece
(Adélia Maria Woellner)

Eu queria cantar o mundo,
com voz bem afinada,
e fazer ressoar meu canto
em cada canto,
em cada estrada.

Eu queria tocar qualquer instrumento,
que vertesse som,
que fluísse música com harmonia
e fazer cada corpo vibrar
ao compasso da minha melodia.

Eu queria ser pintor,
espalhar cores, muitas cores,
manchar telas com habilidade,
retratar a natureza, os sentimentos,
alegrar olhos e almas
e transmitir paz, serenidade.

Eu pedi a Deus tudo isso,
pois queria enternecer corações,
encher a vida de alegria,
colorir pensamentos
e despertar emoções…

Antes mesmo de nascer,
eu pedi para ser esteta…
Ah! como eu pedi a Deus!…
Pedi tanto, tanto,
que Deus me fez poeta.

Em Infinito em mim/Adélia Maria Woellner, Reproset Indústria Gráfica Ltda.,
Curitiba (PR), 2ª edição, 2000, pág. 8.

Infinito em mim (Adélia Maria Woellner)

Infinito em mim
(Adélia Maria Woellner)

Em tudo,
na semente,
a expressão do todo.

No poema,
resulto ser
criador e criado,
quando me permito
fundir-me com o universo
e perceber
o infinito em mim…

Em Infinito em mim/Adélia Maria Woellner, Reproset Indústria Gráfica Ltda.,
Curitiba (PR), 2ª edição, 2000, pág. 7.

Aprendiz (Adélia Maria Woellner)

Aprendiz
(Adélia Maria Woellner)

Nasci de outras terras,
vermelhas como a cor do sol
da tarde
anunciando estiagem.
Foi longa e árida
a viagem.
Pés crestados
na terra partida,
ressequida
de húmus e de vida.
Porém, sobrevivi…

Nasci de outras águas,
fecundada fui
no encontro das ondas com os rochedos.
Por isso,
cresci sem medos,
mas parti os lábios
no sal e no sol.
Não pude sorrir,
porém, sobrevivi…

Surgi de outros ventos.
Fui gerada em tufões,
mas nasci do ventre da brisa.
Rodopiei em rodamoinhos
e fustiguei folhas, flores e frutos.
Provei sabores
doces e amargos…
Corri mundos e não pude parar.
Cansei,
mas sobrevivi…

Apareci assim,
de repente,
como salamandra entusiasmada.
Vesti-me de cor e calor,
lambi a casca da madeira seca
e enxuguei o tronco úmido de lágrimas.
Fogo incontrolado,
querendo alcançar o céu,
queimei e me consumi,
vendo meu pranto arder ao léu.
Mesmo assim,
sobrevivi…

Agora, sou como sou.
Estou reaprendendo a viver.

Em Infinito em mim/Adélia Maria Woellner, Reproset Indústria Gráfica Ltda.,
Curitiba (PR), 2ª edição, 2000, pág.14.

Send this to a friend