Categoria: Adalgisa Nery (Rio de Janeiro, Brasil)

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Mistério (Adalgisa Nery)

Mistério
(Adalgisa Nery)

Há vozes dentro da noite que clamam por mim,
há vozes nas fontes que gritam meu nome.
Minha alma distende seus ouvidos
e minha memória desce aos abismos escuros
procurando quem chama.
Há vozes que correm nos ventos clamando por mim.
Há vozes debaixo das pedras que gemem meu nome
e eu olho para as árvores tranqüilas
e para as montanhas impassíveis
procurando quem chama.
Há vozes na bôca das rosas cantando meu nome
e as ondas batem nas praias
deixando exaustas um grito por mim
e meus olhos caem na lembrança do paraíso
para saber quem chama.
Há vozes nos corpos sem vida,
há vozes no meu caminhar,
há vozes no sono de meus filhos
e meu pensamento como um relâmpago risca
o limite da minha existência
na ânsia de saber quem grita.

Da obra original Cantos da Angústia (1948) Adalgisa Nery.
Extraído de Mundos Oscilantes – poesia reunida/ Adalgisa Nery,
Livraria José Olympio Editôra S.A., Rio de Janeiro (RJ) Brasil,
1962, pág. 151/152.

Poema Terceiro (Adalgisa Nery)

Poema Terceiro
(Adalgisa Nery)

Se o momento da grande prece chegar
que eu me encontre livre dos males do passado
para te receber em absoluto amor,
que a frescura das águas das fontes
desça sôbre meus sentidos e minha alma
como o silêncio das tardes sobre as campinas em flor,
que eu me encontre livre das formas que amei
e de tôdas as coisas que desejei
como o sono dos mortos despidos de sonhos.
Se o momento da grande prece chegar
eu quero partir ao teu encontro
como às desconhecidas praias se deitam amorosas as águas do mar.
Se o momento da grande prece chegar
eu ficarei eternamente iluminada
amado meu
e o sol jamais tornar-se-á a deitar.

Da obra original Cantos da Angústia (1948)/ Adalgisa Nery.
Extraído de Mundos Oscilantes – poesia reunida/ Adalgisa Nery,
Livraria José Olympio Editôra S.A., Rio de Janeiro (RJ) Brasil,
1962, pág. 139/140.

Poema Segundo (Adalgisa Nery)

Poema Segundo
(Adalgisa Nery)

Quero te acariciar infinitamente para te fazer sofrer.
Quero que saibas, ainda mais,
o que seja a gloriosa alegria do amor
e o desalento profundo de viver.
Quero que meu corpo seja para os teus sentidos
como o pensamento
constante que domina e aprisiona
todos os momentos,
quero que tua nostalgia
viva em teu olhar recordando minha voz
no largo silêncio da noite
e nas mudanças do dia.
Quero que únicamente te libertes de tua inquietação
quando me sentires abandonada e tímida
perdida em teu corpo
para o amor sem limitação.

Da obra original Cantos da Angústia (1948)/ Adalgisa Nery.
Extraído de Mundos Oscilantes – poesia reunida/ Adalgisa Nery,
Livraria José Olympio Editôra S.A., Rio de Janeiro (RJ) Brasil,
1962, pág. 139.

Poema Primeiro (Adalgisa Nery)

Poema Primeiro
(Adalgisa Nery)

Quando o amado surgir na minha noite infinita
quero que êle esteja seguro do meu amor
como a verdade na língua do profeta.
Quando o amado surgir para a noite das nossas núpcias
eu quero que as velhas árvores e o eterno vento se inclinem
diante da beleza do seu corpo
e da majestade do meu caminhar.
Quando o amado surgir para a grande fusão
eu quero que as fontes e os rios
parem seus murmúrios
para que eu ouça o cântico de seu coração
com as palavras de seus olhos e de suas mãos.
E quando o amado em seus vigorosos braços me recolher
e sua bôca se unir à minha bôca
tôdas as luzes do universo poderão morrer
porque eu ficarei eternamente iluminada
na suprema claridade de viver.

Da obra original “Cantos da Angústia” (1948)/Adalgisa Nery.
Extraído de Mundos Oscilantes – poesia reunida/ Adalgisa Nery,
Livraria José Olympio Editôra S.A., Rio de Janeiro (RJ) Brasil,
1962, pág. 138/139.

A poesia se esfrega nos seres e nas cousas (Adalgisa Nery)

A poesia se esfrega nos seres e nas cousas
(Adalgisa Nery)

Nunca sentiste uma fôrça melodiosa
cercando tudo que teus olhos vêem,
um misto de tristeza numa paisagem grandiosa
ou um grito de alegria na morte de um ser que queres bem?
Nunca sentiste nostalgia na essência das cousas perdidas
deparando com um campo devoluto
semelhante a uma virgem esquecida?
Num circo, nunca se apoderou de ti, um amargor sutil
vendo animais amestrados
e logo depois te mostrarem
sêres humanos imitando um reptil?
Nunca reparaste na beleza de uma estrada
cortando as carnes do solo
para unir carinhosamente
todos os homens, de um a outro pólo?
Nunca te empolgaste diante de um avião,
olhando uma locomotiva, a quilha de um navio,
ou de qualquer outra invenção?
Nunca sentiste esta fôrça que te envolve desde o brilho do dia
ao mistério da noite,
na extensão da tua dor
e na delícia da tua alegria?
Pois então, faz de teus olhos o cume da mais alta montanha
para que vejas com tôda a amplitude
a grandeza infindável da poesia que não percebes
e que é tamanha!

Da obra original “A Mulher Ausente” (1940)/ Adalgisa Nery.
Extraído de Mundos Oscilantes – poesia reunida/ Adalgisa Nery,
Livraria José Olympio Editôra S.A., Rio de Janeiro (RJ) Brasil,
1962, pág. 79.

Mistério (Adalgisa Nery)

Mistério
(Adalgisa Nery)

Há vozes dentro da noite que clamam por mim,
há vozes nas fontes que gritam meu nome.
Minha alma distende seus ouvidos
e minha memória desce aos abismos escuros
procurando quem chama.
Há vozes que correm nos ventos clamando por mim.
Há vozes debaixo das pedras que gemem meu nome
e eu olho para as árvores tranqüilas
e para as montanhas impassíveis
procurando quem chama.
Há vozes na bôca das rosas cantando meu nome
e as ondas batem nas praias
deixando exaustas um grito por mim
e meus olhos caem na lembrança do paraíso
para saber quem chama.
Há vozes nos corpos sem vida,
há vozes no meu caminhar,
há vozes no sono de meus filhos
e meu pensamento como um relâmpago risca
o limite da minha existência
na ânsia de saber quem grita.

Da obra original “Cantos da Angústia” em Mundos Oscilantes – poesia reunida/
Adalgisa Nery, Livraria José Olympio Editôra S.A., Rio de Janeiro (RJ) Brasil,
1962, pág. 151.

Histórias do Vento (Adalgisa Nery)

Histórias do Vento
(Adalgisa Nery)

O vento veio correndo,
assoviando, gritando
que vira a lua nascendo,
que vira a estrêla brilhando,
que o beija-flor vira voando,
que vira o rio cantando
e o fruto amarelando.
Que vira o orvalho caindo
sôbre a relva e sôbre a flor,
que vira a abelha zumbindo
dentro das pétalas em côr.
Que vira a semente no chão,
nas águas, o peixe mudo,
o pastor tangendo as ovelhas
cantando por nada e por tudo.
O vento veio correndo,
assoviando, cantando
que vira o mais belo do mundo:
uma criança nascendo,
uma criança brincando,
uma criança sorrindo, vivendo,
uma criança cantando.

Da obra original “Novos Poemas” em Mundos Oscilantes – poesia reunida/
Adalgisa Nery, Livraria José Olympio Editôra S.A., Rio de Janeiro (RJ) Brasil,
1962, pág. 289.

Vida e Morte (Adalgisa Nery)

Vida e Morte
(Adalgisa Nery)

Guarda-me dentro da tua órbita,
esconde meu corpo dentro do teu corpo,
ajusta-me no teu melhor pensamento
para que eu me sinta imóvel, atada
em tôda a ternura
serve-te dos meus seios para o repouso da tua cabeça aniquilada,
deixa que eu enxugue com os meus cabelos
o suor que brota do teu corpo, no sofrimento e na angústia.
Permite que meu ventre seja fecundado com a tua vida
e neste momento, aperta com tuas mãos o meu pescoço abandonado
para que se imprimam simultâneamente em meu corpo
as marcas da Vida e da Morte
e dona dos extremos por instantes, assim
eu terei de Deus um pouco.

Da obra original “A Mulher Ausente” em Mundos Oscilantes – poesia reunida/
Adalgisa Nery, Livraria José Olympio Editôra S.A., Rio de Janeiro (RJ) Brasil,
1962, pág. 71.

Chove Dentro da Minha Alma (Adalgisa Nery)

Chove Dentro da Minha Alma
(Adalgisa Nery)

Ouço bem a chuva que dentro da minha alma cai.
Debruço-me num tempo erguido pela nostalgia
e a chuva é mais fria.
Procuro em meu coração uma tristeza qualquer;
talvez assim encontre aquecimento
e mude o ritmo da chuva
por algum momento.
Busca em vão.
A chuva continua em compasso firme e lento
desacompanhada de vento.
Procuro em meu coração
um segundo de descanso
e talvez de exultação;
novamente recorri em vão.
Chove dentro da minha alma
o pranto das noites frias
e das inumeráveis tristezas sem razão.

Da obra original “A Mulher Ausente” em Mundos Oscilantes – poesia reunida/
Adalgisa Nery, Livraria José Olympio Editôra S.A., Rio de Janeiro (RJ) Brasil,
1962, pág. 59.

A um Homem (Adalgisa Nery)

A um Homem
(Adalgisa Nery)

Quando numa rocha porosa
cansado te encostares
e dela vires surgir a umidade e depois a gôta,
pensa, amado meu, com carinho,
que aí está a minha bôca.
Se teus olhos ficarem nas praias
e vires o mar ensalivando a areia,
com alegria pensa, amado meu,
num corpo feliz
porque é só teu.
Se descansares sob uma árvore frondosa
e além da sombra ela te envolver de ar resinoso,
lembra-te com entorpecência, amado meu,
da delícia do meu ventre amoroso.
Quando olhares o céu
e vires a andorinha tonta na amplidão,
pensa, amado meu, que assim sou eu
perdida na infindável solidão.
À noite quando as trevas chegarem
e vires do firmamento
uma estrêla cair e se afundar,
é sinal, amado meu,
que teu amor vai me abandonar.
Na morte, quando perderes o último sentido
e tua própria voz
em forma de pensamento
te subir ao ouvido,
deixa escorrer a derradeira lágrima pelo teu rosto
nascida do extremo alento do coração
e pensa então, amado meu,
que ainda é um suave carinho da minha mão.

Da obra original “A Mulher Ausente” em Mundos Oscilantes – poesia reunida/
Adalgisa Nery, Livraria José Olympio Editôra S.A., Rio de Janeiro (RJ) Brasil,
1962, pág. 57.

 

Pensamentos que Reúnem um Tema (Adalgisa Nery)

Pensamentos que Reúnem um Tema
(Adalgisa Nery)

Estou pensando nos que possuem a paz de não pensar,
na tranqüilidade dos que esqueceram a memória
e nos que fortaleceram o espírito com um motivo de odiar.
Estou pensando nos que vivem a vida
na previsão do impossível
e nos que esperam o céu
quando suas almas habitam exiladas o vale intransponível.
Estou pensando nos pintores que já realizaram para as multidões
e nos poetas que correm indefinidamente
em busca da lucidez dos que possam atingir
a festa dos sentidos nas simples emoções.
Estou pensando num olhar profundo
que me revelou uma doce e estranha presença,
estou pensando no pensamento das pedras das estradas sem fim
pela qual pés de tôdas as raças, com tôdas as dores e alegrias
não sentiram o seu mistério impenetrável,
meu pensamento está nos corpos apodrecidos durante as batalhas
sem a companhia de um silêncio e de uma oração,
nas crianças abandonadas e cegas para a alegria de brincar,
nas mulheres que correm mundo
distribuindo o sexo desligadas do pensamento de amor,
nos homens cujo sentimento de adeus
se repete em todos os segundos de suas existências,
nos que a velhice fêz brotar em seus sentidos
a impiedade do raciocínio ou a inutilidade dos gestos.
Estou pensando um pensamento constante e doloroso
e uma lágrima de fogo desce pela minha face:
de que nada sou para o que fui criada
e como um número ficarei
até que minha vida passe.

Da obra original “Cantos da Angústia” em Mundos Oscilantes – poesia reunida/
Adalgisa Nery, Livraria José Olympio Editôra S.A., Rio de Janeiro (RJ) Brasil,
1962, pág. 158.

 

A Espera (Adalgisa Nery)

A Espera
(Adalgisa Nery)

Amado, por que tardas tanto?
As primeiras sombras se avizinham
e as estrêlas iniciam a noite.
Vem, pois a esperança que se acolheu em meu coração
vai deixá-lo como um ninho abandonado nos penhascos.
Vem, amado, desce a tua bôca sôbre a minha bôca
para a tua alma levar a minha alma
pesada de sofrimento.
Vem, para que beijando a minha bôca
eu receba a sensação de uma janela aberta.
Amado meu, por que tardas tanto?
Vem. E serás como um ramo de rosas brancas
pousando no túmulo da minha vida.
Vem, amado meu. Por que tardas tanto?

Da obra original “Cantos da Angústia” em Mundos Oscilantes – poesia reunida/
Adalgisa Nery, Livraria José Olympio Editôra S.A., Rio de Janeiro (RJ) Brasil,
1962, pág. 166.

 

Poema Natural (Adalgisa Nery)

Poema Natural
(Adalgisa Nery)

Abro os olhos, não vi nada
fecho os olhos, já vi tudo.
O meu mundo é muito grande
e tudo que penso acontece.
Aquela nuvem lá em cima?
Eu estou lá,
ela sou eu.
Ontem com aquêle calor
eu subi, me condensei
e, se o calor aumentar, choverá e cairei.
Abro os olhos, vejo um mar,
fecho os olhos e já sei.
Aquela alga boiando, à procura de uma pedra?
Eu estou lá,
ela sou eu.
Cansei do fundo do mar, subi, me desamparei.
Quando a maré baixar, na areia secarei,
mais tarde em pó tornarei.
Abro os olhos novamente
e vejo a grande montanha,
fecho os olhos e comento:
aquela pedra dormindo, parada dentro do tempo,
recebendo sol e chuva, desmanchando-se ao vento?
Eu estou lá,
ela sou eu.

Da obra original “Poemas” em Mundos Oscilantes – poesia reunida/ Adalgisa Nery,
Livraria José Olympio Editôra S.A., Rio de Janeiro (RJ) Brasil, 1962, pág. 22.

Poema ao Farol da Ilha Rasa (Adalgisa Nery)

Poema ao Farol da Ilha Rasa
(Adalgisa Nery)

O aviso da vida
passa a noite inteira dentro do meu quarto
piscando o ôlho.
Diz que vigia o meu sono
lá da escuridão dos mares
e que me pajeia até o sol chegar.
Por isso grita em côres
sôbre meu corpo adormecido ou
dividindo em compassos coloridos
as minhas longas insônias.
Branco
vermelho
branco
vermelho
o farol é como a vida
nunca me disse: verde.

Da obra original “Poemas” em Mundos Oscilantes – poesia reunida/ Adalgisa Nery,
Livraria José Olympio Editôra S.A., Rio de Janeiro (RJ) Brasil, 1962, pág. 22.

Poema da Amante (Adalgisa Nery)

Poema da Amante
(Adalgisa Nery)

Eu te amo
antes e depois de todos os acontecimentos,
na profunda imensidade do vazio
e a cada lágrima dos meus pensamentos.
Eu te amo
em todos os ventos que cantam,
em tôdas as sombras que choram,
na extensão infinita dos tempos
até a região onde os silêncios moram.
Eu te amo
em tôdas as transformações da vida,
em todos os caminhos do mêdo,
na angústia da vontade perdida
e na dor que se veste em segrêdo.
Eu te amo
em tudo que estás presente,
no olhar dos astros que te alcançam
e em tudo que ainda estás ausente.
Eu te amo
desde a criação das águas,
desde a idéia do fogo
e antes do primeiro riso e da primeira mágoa.
Eu te amo perdidamente
desde a grande nebulosa
até depois que o universo cair sôbre mim
suavemente.

Da obra original As Fronteiras da Quarta Dimensão (1951)
em Mundos Oscilantes – poesia reunida/ Adalgisa Nery,
Livraria José Olympio Editôra S.A., Rio de Janeiro (RJ) Brasil, 1962, pág. 231.

 

A Rosa (Adalgisa Nery)

A Rosa
(Adalgisa Nery)

Levo de ti a rosa de todos os meus mundos
batendo na memória como o velho ruído do mar.
Levo essa fôrça para em todos os segundos
ser o gesto que deve a minha alma amparar.
As raízes são vida sob a terra,
as palavras são flôres sob o tempo.
Com a rosa não sentirei o nojo que encerra
o pecado sem o nobre sentimento.
Levo de ti, o nítido cunho da morte
que enaltece minha vida
porque tua ausência foi o corte
de tôda a amplitude conhecida.
Só, acompanhada de tumultos,
guardo a rosa
que o pó ofereceu em troca de insultos.

Em Mundos Oscilantes – Poesia Reunida/Adalgisa Nery,
Livraria José Olympio Editôra S.A., Rio de Janeiro (RJ) Brasil,
1962, pág. 278.

Poema de Amor (Adalgisa Nery)

Poema de Amor
(Adalgisa Nery)

Ouve-me com teus olhos
porque minha queixa é muda.
Acaricia-me com teu pensamento
porque meu corpo está imóvel.
Beija-me com tuas mãos
porque minha bôca te espera.
Fala-me com o silêncio dos momentos de amor
porque os ouvidos da minha vida
se abrirão como as flôres
na úmida e infinita madrugada.

Em Mundos Oscilantes – Poesia Reunida/ Adalgisa Nery,
Livraria José Olympio Editôra S.A., Rio de Janeiro (RJ) Brasil,
1962, pág. 168.

 

Repouso (Adalgisa Nery)

Repouso
(Adalgisa Nery)

Dá-me tua mão
e eu te levarei aos campos musicados pela canção das colheitas
cheguemos antes que os pássaros nos disputem os frutos,
antes que os insetos se alimentem das fôlhas entreabertas.
Dá-me tua mão
e eu te levarei a gozar a alegria do solo agradecido,
te darei por leito a terra amiga
e repousarei tua cabeça envelhecida
na relva silenciosa dos campos.
Nada te perguntarei,
apenas ouvirás o cantar das águas adolescentes
e as palavras do meu olhar sôbre tua face muito amada.

Da obra original “As Fronteiras da Quarta Dimensão” em Mundos Oscilantes – poesia reunida/ Adalgisa Nery, Livraria José Olympio Editôra S.A., Rio de Janeiro (RJ) Brasil, 1962, pág. 233.

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