Para quê?! (Florbela Espanca)

 

Para quê?!
(Florbela Espanca)

Tudo é vaidade neste mundo vão…
Tudo é tristeza; tudo é pó, é nada!
E mal desponta em nós a madrugada,
vem logo a noite encher o coração!

Até o amor nos mente, essa canção
que o nosso peito ri à gargalhada,
flor que é nascida e logo desfolhada,
pétalas que se pisam pelo chão!…

Beijos de amor! Pra quê?! Tristes vaidades!
Sonhos que logo são realidades,
que nos deixam a alma como morta!

Só neles acredita quem é louca!
Beijos de amor que vão de boca em boca,
como pobres que vão de porta em porta!…

Da obra original Livro de Mágoas/ Florbela Espanca (1919).
Extraído de Sonetos/ Florbela Espanca, Livraria Estante Editora, Aveiro (PT),
4ª edição, 1992, pág. 56.

 

 

 

 

 

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