Mais triste (Florbela Espanca)

Mais triste
(Florbela Espanca)

É triste, diz a gente, a vastidão
do Mar imenso! E aquela voz fatal
com que ele fala, agita o nosso mal!
E a Noite é triste como a Extrema-Unção!

É triste e dilacera o coração
um poente do nosso Portugal!
E não vêem que eu sou… eu … afinal,
a coisa mais magoada das que o são?!

Poentes de agonia trago-os eu
dentro de mim e tudo quanto é meu
é um triste poente de amargura!

E a vastidão do Mar, toda essa água
trago-a dentro de mim num Mar de Mágoa!
E a Noite sou eu própria! A Noite escura!!

Da obra original Livro de Mágoas/ Florbela Espanca (1919).
Extraído de Sonetos/ Florbela Espanca, Livraria Estante Editora, Aveiro (PT),
4ª edição, 1992, pág. 60.

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