Torre de Névoa (Florbela Espanca)

Torre de Névoa
(Florbela Espanca)

Subi ao alto, à minha Torre esguia,
feita de fumo, névoas e luar,
e pus-me, comovida, a conversar
com os poetas mortos, todo o dia.

Contei-lhes os meus sonhos, a alegria
dos versos que são meus, do meu sonhar,
e todos os poetas, a chorar,
responderam-me então: “que fantasia,

criança doida e crente! Nós também
tivemos ilusões, como ninguém,
e tudo nos fugiu, tudo morreu!…”

Calaram-se os poetas, tristemente…
E é desde então que eu choro amargamente
na minha Torre esguia junto ao céu!…

Da obra original Livro de Mágoas/ Florbela Espanca (1919).
Extraído de Sonetos/ Florbela Espanca, Livraria Estante Editora, Aveiro (PT),
4ª edição, 1992, pág. 39.

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