Amiga (Florbela Espanca)

Amiga
(Florbela Espanca)

Deixa-me ser a tua amiga, Amor,
a tua amiga só, já que não queres
que pelo teu amor seja a melhor
a mais triste de todas as mulheres.

Que só, de ti, me venha mágoa e dor
o que me importa a mim?! O que quiseres
é sempre um sonho bom! Seja o que for
bendito sejas tu por m’o dizeres!

Beija-me as mãos, Amor, devagarinho…
Como se os dois nascêssemos irmãos,
aves cantando, ao sol, no mesmo ninho…

Beija-mas bem!… Que fantasia louca
guardar assim, fechados, nestas mãos,
os beijos que sonhei pra minha boca!…

Da obra original Livro de Mágoas/ Florbela Espanca (1919).
Extraído de Sonetos/ Florbela Espanca, Livraria Estante Editora, Aveiro (PT),
4ª edição, 1992, pág. 49.

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