A flor do sonho (Florbela Espanca)

A flor do sonho
(Florbela Espanca)

A Flor do Sonho, alvíssima, divina,
miraculosamente abriu em mim,
como se uma magnólia de cetim
fosse florir num muro todo em ruína.

Pende em meu seio a haste branda e fina
e não posso entender como é que, enfim,
essa tão rara flor abriu assim! …
Milagre … fantasia … ou, talvez, sina …

Ó Flor que em mim nasceste sem abrolhos,
que tem que sejam tristes os meus olhos
se eles são tristes pelo amor de ti?! …

Desde que em mim nasceste em noite calma,
voou ao longe a asa da minh’alma
e nunca, nunca mais eu me entendi …

Da obra original Livro de Mágoas/ Florbela Espanca (1919).
Extraído de Sonetos/ Florbela Espanca, Livraria Estante Editora, Aveiro (PT),
4ª edição, 1992, pág. 46.

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