Primavera (Florbela Espanca)

Primavera
(Florbela Espanca)

É Primavera agora, meu Amor!
O campo despe a veste de estamenha;
não há árvore nenhuma que não tenha
o coração aberto, todo em flor!

Ah! Deixa-te vogar, calmo, ao sabor
da vida… não há bem que nos não venha
dum mal que o nosso orgulho em vão desdenha!
Não há bem que não possa ser melhor!

Também despi meu triste burel pardo,
e agora cheiro a rosmaninho e a nardo
e ando agora tonta, à tua espera…

Pus rosas cor-de-rosa em meus cabelos…
Parecem um rosal! Vem desprendê-los!
Meu Amor, meu Amor, é Primavera!…

Publicado originalmente no Livro Reliquiae (1931).
Extraído de Sonetos/ Florbela Espanca,
Livraria Estante Editora, Aveiro (PT), 4ª edição, 1992, pág. 176.

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