Amar! (Florbela Espanca)

Amar!
(Florbela Espanca)

Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: Aqui… além…
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente…
Amar! Amar! E não amar ninguém!

Recordar? Esquecer? Indiferente!…
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
durante a vida inteira é porque mente!

Há uma primavera em cada vida:
é preciso cantá-la assim florida,
pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!

E se um dia hei de ser pó, cinza e nada
que seja a minha noite uma alvorada,
que me saiba perder… pra me encontrar…

Da obra original Charneca em Flor (1930).
Extraído de Sonetos/ Florbela Espanca,
Livraria Estante Editora, Aveiro, Portugal, 4ª edição, 1992, pág. 132.

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