Cântico XX (Cecília Meireles)

Cântico
XX
(Cecília Meireles)

Não digas que és dono.
Sempre que disseres
roubas-te a ti mesmo.
Tu, que és senhor de tudo…
Deixa os escravos rugirem,
querendo.
Inutiliza o gesto possuidor das mãos.
Sê a árvore que floresce
que frutifica
e se dispersa no chão.
Deixa os famintos despojarem-te.
Nos teus ramos serenos
há florações eternas
e todas as bocas se fartarão.

Em Cânticos/ Cecília Meireles, 3ª edição,
Editora Moderna Ltda., São Paulo (SP) Brasil, 2003, pág. 49.

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