Só alguns cravos (Deborah Brennand)

Só alguns cravos
(Deborah Brennand)

Nada sei de tílias e carvalhos
agapantos tulipas jasmins do Cairo.
Conheço bem urtigas, locas, mato
algemas de cipós liana em laços.

Por sorte, só por sorte ainda guardo
naquele pote a colônia macerada.
Dói a alma, dói e não passa,
lembrando a timidez dos bredos.

E, agora, para enfeitar uma casa
alva casa entre gramas sem trato
vôo pousando, varanda em asas
eu escolhi só alguns cravos.

Cravos sem sangue,
todavia, encarnados.

Da obra original O Cadeado Negro.
Extraído de Poesia reunida/ Deborah Brennand,
Companhia Editora de Pernambuco, Recife (PE), Brasil,
2007, pág. 461.

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