A flor que eu teço é rubra (Deborah Brennand)

A flor que eu teço é rubra
(Deborah Brennand)

As fontes da noite, o veneno das raízes,
um grito roxo de dálias assustando o jardim,
a brisa solta com revoltas crinas,
tudo isso, até julho e a lua nos capins
eu aceito, mas recuso a carta aberta da vida
com letras de ouro maldizendo os sonhos.

A flor que eu teço é rubra, vive sem vida.

Aceito que desames, a eternidade foi ontem
nos ramos onde pousaram as andorinhas.
Ruínas? Já vi a pedra no areal deserto,
e o sol exilar a última flor do cardo.
Não temo, deixo um ponteiro vacilar
entre a minh’alma de ferro e a tua sombra.

A flor que eu teço é rubra.

Vive sem Vida.

Em Poesia reunida/ Deborah Brennand,
Companhia Editora de Pernambuco, Recife (PE), Brasil,
2007, pág. 351.

Você pode gostar...

Send this to a friend