Soneto (Augusto Frederico Schmidt)

Soneto
(Augusto Frederico Schmidt)

Frágeis filhas da Aurora e do Mistério,
rosas que despertais virgens e frescas,
sorrindo entre os espinhos e as folhagens,
nos roseirais sadios e viçosos.

Rosas débeis, que os ventos assassinam,
sois a forma e a expressão do próprio efêmero,
na luta natural incerta e cega.
Sois o instante de Pausa e Sutileza.

Rosas que as mãos da noite despetalam,
sois o triunfo do Amor e da Harmonia,
sois a imagem tranqüila da Beleza.

Rosas que alimentais meu olhar enfêrmo,
rosas, vós sois da terra humilde e escura
um gesto puro, um alto pensamento!

Em Sonetos – completos/ Augusto Frederico Schmidt,
Rio Gráfica Editora Ltda., Rio de Janeiro (RJ) Brasil,
1965, pág. 52.

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