Soneto (Carlos Pena Filho)

Soneto 
(Carlos Pena Filho)

Por seres bela e azul é que te oferto
a serena lembrança desta tarde:
tudo em torno de mim vestiu um ar de
quem não te tem mas te deseja perto.

O verão que fugiu para o deserto
onde, indolente e sem motivos, arde,
deixou-nos este leve e vago e incerto
silêncio que se espalha pela tarde.

Por seres bela e azul e improcedente
é que sabes que a flor, o céu e os dias
são estados de espírito, somente,

como o leste e o oeste, o norte e o sul.
Como a razão por que não renuncias
ao privilégio de ser bela e azul.

Em Os melhores poemas de Carlos Pena Filho/
seleção de Edilberto Coutinho, 4ª edição,
Global Editora e Distrib. Ltda., São Paulo (SP) Brasil, 2000, pág. 32.

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