Mistério (Adalgisa Nery)

Mistério
(Adalgisa Nery)

Há vozes dentro da noite que clamam por mim,
há vozes nas fontes que gritam meu nome.
Minha alma distende seus ouvidos
e minha memória desce aos abismos escuros
procurando quem chama.
Há vozes que correm nos ventos clamando por mim.
Há vozes debaixo das pedras que gemem meu nome
e eu olho para as árvores tranqüilas
e para as montanhas impassíveis
procurando quem chama.
Há vozes na bôca das rosas cantando meu nome
e as ondas batem nas praias
deixando exaustas um grito por mim
e meus olhos caem na lembrança do paraíso
para saber quem chama.
Há vozes nos corpos sem vida,
há vozes no meu caminhar,
há vozes no sono de meus filhos
e meu pensamento como um relâmpago risca
o limite da minha existência
na ânsia de saber quem grita.

Da obra original Cantos da Angústia (1948) Adalgisa Nery.
Extraído de Mundos Oscilantes – poesia reunida/ Adalgisa Nery,
Livraria José Olympio Editôra S.A., Rio de Janeiro (RJ) Brasil,
1962, pág. 151/152.

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