O Sonho (J. G. de Araújo Jorge)

O Sonho
(J. G. de Araújo Jorge)

Eras minha, ou melhor, ias ser minha…
Eu te beijava toda, lentamente,
e meu beijo de amor, tonto, ia e vinha,
como um pássaro no ar, leve, impaciente.

Primeiro, em tua boca me detinha,
depois, ia descendo, em lava ardente;
e ao descobrir-te, inteira, nuazinha,
de beijos te cobria, inteiramente:

— os seios, os quadris, o ventre, tudo…
Estranha lava de um vulcão sem chamas,
de um estranho vulcão, violento e mudo…

Mas, acordo… Os lençóis frios, desertos…
Ó meu amor, se é certo que tu me amas,
vem, que eu quero sonhar de olhos abertos!

Em Os mais belos poemas que o amor inspirou IV/ J. G. de Araújo Jorge,
4ª edição, Editora Rideel Ltda., São Paulo (SP) Brasil, pág. 151.

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