Há jardins invadidos de luar (Sophia de Mello Breyner Andresen)

Há jardins invadidos de luar
(Sophia de Mello Breyner Andresen)

Há jardins invadidos de luar
que vibram no silêncio como liras.
Segura o teu amor entre os teus dedos
neste jardim de Abril em que respiras.

A vida não virá — as tuas mãos
não podem colher noutras a doçura
das flores baloiçando ao vento leve.

Fosse o teu corpo feito de luar,
fosses tu o jardim cheio de lagos,
as árvores em flor, a profusão
da sua sombra negra nos caminhos.

Em Dia do Mar/ Sophia de Mello Breyner Andresen,
Editorial Caminho S.A., Lisboa (Portugal), 5ª edição, 2005, pág. 66.

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