Girassóis (Théo Drummond)

Girassóis
(Théo Drummond)

O azul do céu é triste, é azul-escuro,
azul estranho e limpo, sem que nada
turve o encanto dele, tão seguro,
livre de ventos, nuvens, passarada.

Sob ele, nem se nota o solo duro.
A terra inteira é toda atapetada
por girassóis enormes, de ouro puro,
que nasceram de loucas pinceladas.

A sensação que tenho, olhando aquela
mistura de dourado e azul, tão bela,
nessa tarde que aos poucos sai de cena,

é de que é enorme a paz que sinto agora,
olhando os girassóis e o azul lá fora
— e só por isso a vida vale a pena.

Em 100 Sonetos/ Théo Drummond, Caravansarai Editora Ltda.,
Rio de Janeiro (RJ) Brasil, 2006, pág. 91.

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