Pedido (Olga Savary)

Pedido
(Olga Savary)

A Manuel Bandeira

Quando eu estiver mais triste
mas triste de não ter jeito,
quando atormentados morcegos
— um no cérebro outro no peito —
me apunhalarem de asas
e me cobrirem de cinza,
vem ensaiando de leve
leve linguagem de flores.
Traze-me a cor arroxeada
daquela montanha — lembra?
que cantaste num poema.
Traze-me um pouco de mar
ensaiando-se em acalanto
na líquida ternura
que tanto já me embalou.

Meu velho poeta, canta
um canto que me adormeça
nem que seja de mentira.

Da obra original Espelho Provisório (1947-1970)/ Olga Savary.
Extraído de Repertório Selvagem: Obra Poética Reunida/ Olga Savary,
MultiMais Editorial Produções Ltda., Rio de Janeiro (RJ), Brasil, 1998, pág. 48.

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