Narciso (Olga Savary)

Narciso
(Olga Savary)

Se eu pudesse amar-me menos
mais te haveria de amar.
Mas sou rosa emurchecendo
ferida entre espinhos
— espinhos do próprio amor.

Se eu pudesse amar-me menos…
Mas sou fonte na noite
colhida no próprio pânico
em gelada escuridão.

Se eu pudesse amar-me menos…
Mas sou alga
(não tenra de ternura
mas doida
desgarrada
violenta)
e sou onda homicida e concha,
sal, peixe,
espuma canibal.

Não me ames porque
não posso deixar menos
de me amar.

Da obra original Espelho Provisório (1947-1970)/ Olga Savary.
Extraído de Repertório Selvagem: Obra Poética Reunida/ Olga Savary,
MultiMais Editorial Produções Ltda., Rio de Janeiro (RJ), Brasil, 1998, pág. 39.

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