Cantiga Meio Mórbida (Olga Savary)

Cantiga Meio Mórbida
(Olga Savary)

— Uma noite
nas ondas vou me deitar.
Descerei por sob os mares
— esquife dos próprios sonhos —,
viajarei oceanos
e areias submersas
onde, em alas, esperam
o meu enterro marinho
suicidas, afogados,
conchas, peixes e algas
mais cavalinhos do mar.

Uma lua rara, uma lua
verde, marinha, espia
a noiva recém-chegada
para uma apodrecida e selvagem
fantástica boda marinha.

Da obra original Espelho Provisório (1947-1970)/ Olga Savary.
Extraído de Repertório Selvagem: Obra Poética Reunida/ Olga Savary,
MultiMais Editorial Produções Ltda., Rio de Janeiro (RJ), Brasil, 1998, pág. 40.

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