Soneto XXI (Guilherme de Almeida)

Soneto XXI
(Guilherme de Almeida)

Fico — deixas-me velho. Moça e bela,
partes. Estes gerânios encarnados,
que na janela vivem debruçados,
vão morrer debruçados na janela.

E o piano, o teu canário tagarela,
a lâmpada, o divã, os cortinados:
“que é feito dela?” — indagarão — coitados!
E os amigos dirão: “que é feito dela?”

Parte! E se olhando atrás, da extrema curva
da estrada, vires, esbatida e turva,
tremer a alvura dos cabelos meus;

irás pensando pelo teu caminho,
que essa pobre cabeça de velhinho
é um lenço branco que te diz adeus!

Da obra original “Nós” (1914-1917).
Extraído de Sonetos/ Guilherme de Almeida, Imprensa Oficial,
São Paulo (SP) Brasil, 2ª edição, pág. 41.

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