Soneto XVIII (Guilherme de Almeida)

Soneto XVIII
(Guilherme de Almeida)

Quando as folhas caírem nos caminhos
ao sentimentalismo do sol poente,
nós dois iremos vagarosamente,
de braços dados, como dois velhinhos.

E que dirá de nós toda essa gente,
quando passarmos mudos e juntinhos?
— “Como se amaram esses coitadinhos!
Como ela vai, como, ele vai contente!”

E por onde eu passar e passares,
hão de seguir-nos todos os olhares
e debruçar-se as flores nos barrancos…

E por nós, na tristeza do sol-posto,
hão de falar as rugas do meu rosto
e hão de falar os teus cabelos brancos.

Da obra original “Nós” (1914-1917).
Extraído de Sonetos/ Guilherme de Almeida, Imprensa Oficial,
São Paulo (SP) Brasil, 2ª edição, pág. 38.

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