Sentinelas (Basilina Pereira)

Sentinelas
(Basilina Pereira)

Banco da praça depois do passeio.
Na vertigem da tarde que cai,
sobem as ruas e as avenidas descem
pra ver os amantes, que vão na frente.
Atrás, uma cortina de segredos.

A censura segue por último
como um velho pastor a velar
por ovelhas indefesas
que, em bando, buscam miragem
em sua cálida inocência.

O roteiro é mutante,
inútil disfarce pra quem baila
na volúpia do primeiro amor,
sentimentos instáveis,
ardentes…receios? nenhum.

O anseio é constante, a magia, real.
Os encontros furtivos, olhos nos olhos
querendo mais…
Os dedos se tocam em arrepio,
é o tempo que desmaia.

Foram muitas as testemunhas
que velaram esses encontros: esquinas,
portas, varandas e janelas,
que até hoje permanecem mudas,
como sentinelas.

Em Janelas/ Basilina Pereira, Verbis Editora Ltda.,
Brasília (DF) Brasil, 2010, pág. 14.

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