Vagueiam suavemente os teus olhares… (Alphonsus de Guimaraens)

Vagueiam suavemente os teus olhares…
(Alphonsus de Guimaraens)

Vagueiam suavemente os teus olhares
pelo amplo céu todo franjado em linho:
comprazem-te as visões crepusculares…
Tu és uma ave que perdeu o ninho.

Em que nichos doirados, em que altares
repoisas, anjo errante, de mansinho?
E penso, ao ver-te envolta em véus de luares,
que vês no azul o teu caixão de pinho.

És a essência de tudo quanto desce
do solar das celestes maravilhas…
— Harpa dos crentes, cítola da prece.

Lua eterna que não tivesse fases,
cintilas branca, imaculada brilhas,
e poeiras de astros nas sandálias trazes…

Da obra original “Pastoral aos Crentes do Amor e da Morte”.
Extraído de Melhores poemas de Alphonsus de Guimaraens/
seleção de Alphonsus de Guimaraens Filho, 4ª edição,
Global Editora e Distribuidora Ltda., São Paulo (SP) Brasil,
2001, pág. 104.

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