Como se moço e não bem velho eu fosse… (Alphonsus de Guimaraens)

Como se moço e não bem velho eu fosse…
(Alphonsus de Guimaraens)

Como se moço e não bem velho eu fosse
uma nova ilusão veio animar-me:
na minh’alma floriu um novo carme,
o meu ser para o céu alcandorou-se.

Ouvi gritos em mim como um alarme.
E o meu olhar, outrora suave e doce,
nas ânsias de escalar o azul, tornou-se
todo em raios que vinham desolar-me.

Vi-me no cimo eterno da montanha,
tentando unir ao peito a luz dos círios
que brilhavam na paz da noite estranha.

Acordei do áureo sonho em sobressalto:
do céu tombei ao caos dos meus martírios,
sem saber para que subi tão alto…

Da obra original “Pastoral aos Crentes do Amor e da Morte”.
Extraído de Melhores poemas de Alphonsus de Guimaraens/
seleção de Alphonsus de Guimaraens Filho, 4ª edição,
Global Editora e Distribuidora Ltda., São Paulo (SP) Brasil,
2001, pág. 118.

Você pode gostar...

Send this to a friend