Soneto III (Antonio Kleber Mathias Netto)

Soneto III
(Antonio Kleber Mathias Netto)

Volúpias sucessivas que se esfumam,
no abrir e no fechar dos olhos úmidos.
Eis-me, então, no enquanto das vontades,
nuvens que se desfazem, sonhos findos.

Essa espera sem tempo é espera tensa,
fugazes emergências dos impulsos.
O gesto, o olhar e a voz estão distantes,
acompanham-me as sombras e os fantasmas.

Nas esquecidas folhas, sobram versos,
edificados sobre cinzas frias,
tentando resgatar tensões antigas.

Estamos sem estar, sangue sem veias,
como as noites morrendo nas manhãs,
como as ondas deitando nas areias.

Em Quarenta Sonetos Sem Pecado/Antonio Kleber Mathias Netto,
Editora do Autor, Rio das Ostras (RJ) Brasil, 1997.

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