Poema Natural (Adalgisa Nery)

Poema Natural
(Adalgisa Nery)

Abro os olhos, não vi nada
fecho os olhos, já vi tudo.
O meu mundo é muito grande
e tudo que penso acontece.
Aquela nuvem lá em cima?
Eu estou lá,
ela sou eu.
Ontem com aquêle calor
eu subi, me condensei
e, se o calor aumentar, choverá e cairei.
Abro os olhos, vejo um mar,
fecho os olhos e já sei.
Aquela alga boiando, à procura de uma pedra?
Eu estou lá,
ela sou eu.
Cansei do fundo do mar, subi, me desamparei.
Quando a maré baixar, na areia secarei,
mais tarde em pó tornarei.
Abro os olhos novamente
e vejo a grande montanha,
fecho os olhos e comento:
aquela pedra dormindo, parada dentro do tempo,
recebendo sol e chuva, desmanchando-se ao vento?
Eu estou lá,
ela sou eu.

Da obra original “Poemas” em Mundos Oscilantes – poesia reunida/ Adalgisa Nery,
Livraria José Olympio Editôra S.A., Rio de Janeiro (RJ) Brasil, 1962, pág. 22.

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