A Espera (Adalgisa Nery)

A Espera
(Adalgisa Nery)

Amado, por que tardas tanto?
As primeiras sombras se avizinham
e as estrêlas iniciam a noite.
Vem, pois a esperança que se acolheu em meu coração
vai deixá-lo como um ninho abandonado nos penhascos.
Vem, amado, desce a tua bôca sôbre a minha bôca
para a tua alma levar a minha alma
pesada de sofrimento.
Vem, para que beijando a minha bôca
eu receba a sensação de uma janela aberta.
Amado meu, por que tardas tanto?
Vem. E serás como um ramo de rosas brancas
pousando no túmulo da minha vida.
Vem, amado meu. Por que tardas tanto?

Da obra original “Cantos da Angústia” em Mundos Oscilantes – poesia reunida/
Adalgisa Nery, Livraria José Olympio Editôra S.A., Rio de Janeiro (RJ) Brasil,
1962, pág. 166.

 

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