Rosas de inverno (Helena Kolody)

Rosas de inverno
(Helena Kolody)

Ao primeiro prenúncio das geadas,
quando a luz esmorece, e o fim do Outono,
as roseiras sem flor, num abandono,
são monjas medievais ensimesmadas.

Mas se um verão tardio doura as ramadas,
acordam os rosais do estranho sono.
As rosas senhoris, com régio entono,
abrem as pálpebras aveludadas.

O coração parece uma roseira
que floresceu a primavera inteira
em rosas de ternura e de ilusão.

Pois, mesmo quando o inverno vem tristonho,
basta um raio de sol, e a flor do sonho
desabrocha triunfal no coração.

Em Viagem no espelho e vinte e um poemas inéditos/ Helena Kolody,
2ª edição, Criar Edições Ltda., Curitiba (PR) Brasil, 2004. pág. 200)

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