Soneto (Augusto Frederico Schmidt)

Soneto
(Augusto Frederico Schmidt)

Descem sôbre as violetas escondidas
os afagos das doces mãos da Aurora.
E eu contemplo o teu ser, abandonado
nesse sono, que é um mar de sombra e frio.

A noite imensa se escondeu aos poucos
no teu rosto apagado e em teus cabelos,
no teu seio secreto e sossegado
e nos teus longos pés purificados.

As violetas despertam suspirosas
e o brando vento da manhã agita
as mal nascidas rosas dos jardins.

És o resto da noite, a alma noturna,
que mal resiste à luz que vem chegando;
és a estrêla esquecida e misteriosa.

Em Sonetos – completos/ Augusto Frederico Schmidt, Rio Gráfica Editora Ltda.,
Rio de Janeiro (RJ) Brasil, 1965, pág. 82.

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