O meu impossível (Florbela Espanca)

O meu impossível
(Florbela Espanca)

Minh’alma ardente é uma fogueira acesa,
é um brasido enorme a crepitar!
ânsia de procurar sem encontrar
a chama onde queimar uma incerteza!

Tudo é vago e incompleto! E o que mais pesa
é nada ser perfeito. É deslumbrar
a noite tormentosa até cegar,
e tudo ser em vão! Deus, que tristeza!…

Aos meus irmãos na dor já disse tudo
e não me compreenderam!… Vão e mudo
foi tudo o que entendi e o que pressinto…

Mas se eu pudesse a mágoa que em mim chora
contar, não a chorava como agora,
irmãos, não a sentia como a sinto!…

Publicado originalmente no Livro Reliquiae (1931), retirado de
Sonetos/ Florbela Espanca, Livraria Estante Editora, Aveiro (PT),
4ª edição, 1992, pág. 171.

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