Origami (Flora Figueiredo)

Origami
(Flora Figueiredo)

Dobra que dobra,
redobra.
Põe de pé,
puxa as pontas.
Não fica perfeito,
mas faz de conta;
um pouco torto,
mas ninguém vê.
Não faz mal:
é só um pedaço morto
de folha de jornal.
Ficou de lado,
meio largado
na gaveta.
Ao voltar,
as letras de papel terão voado.
Palavra mal guardada
acaba se tornando borboleta.

Em Chão de Vento/ Flora Figueiredo, 1ª edição,
Geração de Comunicação Integrada Comercial Ltda.,
São Paulo (SP), 2005, pág. 19.

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