Primavera (Théo Drummond)

Primavera
(Théo Drummond)

Folhas que amarelecem nos avisam
que os ventos outonais vão derrubá-las,
despindo as ramas quando mais precisam
de muitas folhas, para agasalhá-las.

Os que conhecem árvores divisam
quando o outono, ao chegar, quer afrontá-las,
jogando ao chão, onde as pessoas pisam,
todas as folhas, para desnudá-las.

Árvores nuas já não têm pudores,
ficam no sol, na chuva, em longa espera,
sem poder mudar nada, e sem escolhas.

Sofrem, mas ficam disfarçando as dores,
até que chegue a nova primavera,
que irá vesti-las, outra vez, de folhas.

Em 100 Sonetos/Théo Drummond, Caravansarai Editora Ltda.,
Rio de Janeiro (RJ), 2006, pág. 20.

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