Chão (Théo Drummond)

Chão
(Théo Drummond)

Havia um chão que nada que plantava
transformava-se em flor, como eu queria.
Da semente plantada e que regava,
a flor sonhada nunca que surgia.

Na pequena distância que existia
entre este chão e um outro em que lançava
qualquer semente, em breve ela seria
uma flor, mas não era a que esperava.

A vida é como um chão, tem seus pedaços.
Em uns, uma semente, se deixada,
sendo regada ou não, sempre aparece.

Mas há trechos no chão — grandes espaços
— que a flor que se plantou, e era aguardada,
por ser terra ruim, nem brota ou cresce.

Em 100 Sonetos/ Théo Drummond, Caravansarai Editora Ltda.,
Rio de Janeiro (RJ), 2006, pág. 19.

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