As pegadas de Deus (Théo Drummond)

As pegadas de Deus
(Théo Drummond)

Caminho pela areia em plena madrugada.
É bom sentir a calma que há nesta lagoa.
Nenhuma brisa passa. A vida está parada.
Naquela imensidão não vejo outra pessoa.

Há tanto tempo eu tinha a alma amargurada.
Agora, de repente, o amargor esboroa
e sinto a sensação, durante a caminhada,
que tem alguém comigo andando, assim, à-toa…

Vou e penso na vida, e a vida faz sentido.
As coisas que passei já são coisas passadas
e tenho de viver, de aceitar o perdido.

Diante de tanta paz banhada em lua cheia
olho por onde piso e percebo, marcadas,
as pegadas de Deus junto às minhas, na areia…

Em 100 Sonetos/Théo Drummond, Caravansarai Editora Ltda.,
Rio de Janeiro (RJ), 2006, pág. 23.

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