Caminhada (Théo Drummond)

Caminhada
(Théo Drummond)

Este mar tão escuro, estas nuvens pesadas,
as ondas encobrindo esta areia vazia,
o cansaço trazido por minhas passadas,
meu olhar, que ao olhar, todo se entristecia.

Pessoas solitárias andam nas calçadas.
A música do quiosque — quem ali que a ouvia?
Penso em outras manhãs, nas longas caminhadas
que, nos tempos passados, tranqüilo fazia.

Acho que o que acontece é o que sempre esperei:
a passagem das horas nunca nos perdoa
e a longa caminhada já nem faz sentido.

Então, meu coração bateu forte e eu parei.
E mais me convenci do quanto o tempo voa,
pois tive a sensação de que havia morrido.

Em 100 Sonetos/Théo Drummond, Caravansarai Editora Ltda.,
Rio de Janeiro (RJ), 2006, pág. 21.

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