Raiva (Théo Drummond)

Raiva
(Théo Drummond)

Olho a cama sem ti e permaneço
acordado ao sentir que está vazia.
É um castigo que sei que não mereço.
É uma dor que dói muito e eu não queria.

A tua ausência eu bem que preferia
ter partido na frente, e o que padeço
porque foste primeiro, é uma agonia,
uma tortura que jamais esqueço.

Não sei quantas serão as mal-dormidas
noites que vou passar sem sentir sono,
relembrando o que foram nossas vidas.

Passo a mão no teu lado de deitar.
A sensação que tenho é de abandono,
raiva de não ter ido em teu lugar.

Em 100 Sonetos/ Théo Drummond, Caravansarai Editora Ltda.,
Rio de Janeiro (RJ), 2006, pág. 13.

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